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HETERODOXIAS

Outros olhares, outros pensares, outros sentires, outros dizeres

Wednesday, November 05, 2003

INSOMNIA

Manhã vestida de branco da noite em claro
Longo tempo de meditação, de quem não teme
E goza o durar da madrugada tépida
Como dádiva de férias intercalares

Manhã que renasce sem haver morrido
O dia de ontem, paradoxo simples
E ponte assim que estende a vida
Ao sono apenas vago permitindo
Nos recorde que somos mortais



posted by paulo  # 11:18 PM
INTIMIDADE PÚBLICA

Vários meses sem escrever num blog. E voltar...
Escrever para os meus amigos sem lhes mandar circular...
Nova ideia de intimidade: intimidade em público.
Ostensivo virar as costas à vozearia.
Interiorizar essa coisa óbvia que é a impossibilidade da comunicação
E a magnífica a mágica a impossível e miraculosa realidade
das empatias
e das afinidades electivas.
As minhas notícias não são as vossas notícias.
Mas as minhas notícias são as tuas notícias.
posted by paulo  # 9:22 PM
HETERODOXIA E AUTENTICIDADE

As coisas que se dizem não são só as coisas substanciais que se dizem. São evidentemente as suas conotações e as suas entoações. Por isso é que falar na Internet pode dar motivo a muitos mal entendidos, apesar de toda a sinalização adicional que se foi inventando para dar sentimento e reacção.
Ora há coisas certas, racionalmente certas, passionalmente certas, totalmente certas que soam contudo a erradas. Melhor: que soam muito mal, que soam a falso...
Um discurso monocórdico, uma cara de plástico, um sorriso postiço, pepsoparvo... tudo isso soa a falso, soa a nulo.2
Por escrito, é possível, em qualquer meio, afivelar melhor, mais eficaz máscara.
Mas mesmo assim... Mesmo assim...
Mesmo assim há coisas certas, certíssimas, que quando ditas por certas pessoas soam a falso. Não são as coisas falsas, nem por sombras. Mas colaram-se essas pessoas a tais coisas. Colaram-se-lhes, como os velhos adesivos... Colaram-se-lhes. Não as pensaram senão tarde e por empréstimo (eufemismo), não as sentiram, não as viveram.
Talvez por isso tenham de tão altissonantemente proclamar que foram os primeiros a descobri-las, que são donos delas com patente e marca registada, pais, progenitores, zeladores, curadores e veladores da ortodoxia.
A ortodoxia dos ortodoxos é normalmente apenas o tributo amargo que à virtude presta o vício de se não ter convicções, mas sempre sentido da oportunidade.
A heterodoxia não precisa de reclamar marcas registadas, nem rótulos, nem lhe interessa ter descoberto a pólvora. A heterodoxia encolhe os ombros à originalidade, sabe que o Espírito sopra onde quer, e tanto lhe faz que seja esta ou aquela máscara (persona) a dizer, conquanto o que diga seja verdade.
A única coisa que incomoda a heterodoxia, mas é apenas um incómodo ético e estético, com alguma preocupação de eficácia da Ideia, é que maus actores, actores não convincentes, porque actores sucessivos de todas as peças, prejudicam o guião.
Mas o Grande Encenador sabe o que faz...
posted by paulo  # 8:56 PM











posted by paulo  # 2:09 PM
Enviei para vários jornais proposta de publicação do artigo seguinte, que, na altura, estava actualizadíssimo e cada dia que passa por um lado de desactualiza face ao evento que lhe deu razão, e se actualiza face à situação de silêncio em que submergimos...

LIBERALISMO LIBERAL



Vim ontem do impressionante 52.º Congresso da Internacional Liberal (éramos dois Portugueses). Abrindo no avião o meu velho “Le Monde”, só topei com uma abundante notícia sobre a Internacional Socialista. Chegado a casa, conectando a Internet, repetia-se a mesma situação… E todavia, valeria a pena falar do Congresso da Internacional Liberal e do presente e do futuro do Liberalismo.

A desinformação sobre o Liberalismo é hoje clamorosa. A propaganda do pensamento único não conseguiu todavia completamente desacreditar a palavra ao som da qual se fez a revolução de 1820 e a nossa primeira Constituição escrita, e o rótulo que uniu os oposicionistas ao Estado Novo na ala da Assembleia Nacional dos últimos anos do antigo regime. Mas tudo vindo de mais fundo e de mais longe, de apelos de raízes, de municípios, de liberdades velhas como a nossa terra calaica e lusa, que teve voz na manhã de Nevoeiro do 1.º de Dezembro de 1640, e de que Ribeiro dos Santos, no séc. XVIII, depois da rude ditadura de Pombal, foi um redescobridor.

Intoxicações massivas não fizeram de todo apagar a memória…Há ainda quem se lembre que o espírito liberal é uma seiva comum e um pergaminho de que se podem reivindicar com orgulho muitos democratas (socialistas e conservadores e afins incluídos, naturalmente, se entendermos a ideia no seu sentido latíssimo). Aquando da oposição ao Gonçalvismo, o que uniu todos, do CDS ao PPD e ao PS? Foi o que em cada um havia de espírito liberal. Porque o liberalismo é, antes de tudo, uma exigência ética, um estado de espírito moderado e plural, convivencial e aberto, a que repugna qualquer totalitarismo e autoritarismo.
Depois desse momento de luta contra o inimigo comum, o liberalismo passou a rarear, até passar a ser tido quase como labéu…

O espírito liberal tem como inimigos jurados o dogmatismo, o estadualismo, a burocracia, a menoridade ou menorização dos cidadãos. E quando um de nós se insurge com um “não há direito!” sonoro numa fila duma repartição pública, ou pede veementemente justiça num tribunal, quando atira a albarda ao ar contra um patrão ou um chefe prepotentes, quando rasga um regulamento absurdo, ou denuncia um Estado sufocante, com razão e com correcção, é o espírito liberal que se manifesta. Mesmo que quem o faz desconheça o que é o liberalismo, e que está a ser liberal.

Na verdade, somos liberais sem o sabermos. E muitos de nós julgam que não são liberais.

Tendo sabido da minha ida ao Congresso da Internacional Liberal, um professor universitário meu amigo, culto, de boas leituras, inteligente e da melhor boa vontade, confiou-me o seu desapontamento:
“ _ Então tu cedeste aos ricos? Então tu agora és pelo capitalismo selvagem, sem comiseração pelos pobres, pelos desvalidos?”
Quase me perguntou se eu me alimentara, no Senegal, do equivalente às “criancinhas ao pequeno almoço” da velha fábula anti-comunista. Na verdade, não ousaria fazê-lo, porque isso seria de muito mau tom.

O meu colega universitário não tem culpa. Não é cientista nem filósofo político, leu as sebentas que o rançoso neo-corporativismo pseudo-personalista à mistura com o dinossáurico marxismo-lenismo mais ou menos pós-moderno lhe impingiram na universidade, e um e outro dos dogmatismos lhe asseguraram que todo o mal vinha dos terríveis liberais. Os liberais que faziam as criancinhas da revolução industrial inglesa sucumbirem ao peso e ao veneno das minas, os liberais que querem hoje os rios privados, os liberais defensores de saúde e educação pagas pelos utentes a peso de oiro, os liberais que desprezam a cultura e pretendem encerrar as universidades não lucrativas, os que, enfim, sabem o preço de tudo e desconhecem o valor do que quer que seja.

Não os liberais que morreram e ainda morrem pela liberdade, pelos direitos, muito menos os liberais que inventaram a assistência social.

Os liberais são hoje identificados, são de há bastante tempo já identificados, com os ultra-liberais ou neo-liberais, que melhor se chamariam anarco-capitalistas. E por isso o meu amigo, que lê os jornais e vê a TV todos os dias, e os semanários ao fim de semana, não sabe mais do que lhe dizem.
Só soube que eu fui ao Congresso da Internacional Liberal porque é meu amigo, e de liberalismo, como cidadão bem informado que é, sabe aquilo que lhe deixam saber os media determinados pelos opinion makers colectivistas ou conservadores: isto é, uma completa distorção do que é, realmente, ser liberal.

Não se pode em duas penadas desfazer muito tempo de preconceitos. Mas na reunião festiva e ao mesmo tempo extraordinariamente séria e rigorosa da IL corroborámos o que já sabíamos. Que o liberalismo de hoje, o liberalismo dos liberais, é uma ideia prática, moderada, entre os extremismos estadualizantes autoritários do conservadorismo, sempre com tentações obscurantistas, e a inépcia do colectivismo, sempre com tentações utópicas.

O liberalismo não é um rótulo cómodo para oportunismos de uma direita de negócios sem ideologia (a eloquente pensadora italiana Beatrice Rangoni Machiavelli, afirmou que Berlusconi não é liberal) nem de uma esquerda politicamente correcta (como é tão de uso na América do Norte).

Há, sem dúvida, pluralidade de vistas na família liberal. Mas ela consegue ser hoje ao mesmo tempo a mais legítima herdeira da tradição, e o mais eficaz arauto do progresso. Foram os liberais os primeiros a falar sobre ecologia no plano político, são hoje os primeiros a discutir com frontalidade a relação entre as civilizações, e entre a civilização ocidental e o credo islâmico – da maior actualidade, como todos sabemos.

Como a sua presidente, a ponderada ministra belga Annemie Neyts-Uyttebroeck, muito aplaudida, sublinhou, a IL não é um clube de ricos…E tem nos seus textos fundantes não só um severo ataque aos monopólios, como uma preocupação constante pelas pessoas e pelos países menos bafejados pela sorte, numa explícita defesa da justiça social, que longe de ser privativa de socialismos, pelo contrário melhor se garante em plena liberdade e sem qualquer dogmatismo de cartilha sobre a propriedade colectiva. Os conservadores defendem sobretudo o capital, os socialistas os sindicatos, mas os liberais preferem as pessoas concretas, isto é, os consumidores.


Não defendem, pois, os liberais, uma teologia do mercado, articulada num discurso de marxismo branco, tão acrítico e tão dogmaticamente “protestante” como o original… Um Hayek ou um Milton Friedman (e muito menos os seus epígonos com muito menor fôlego e preparação) não foram sequer mencionados. E contudo há quem os recite como quem cita o livrinho vermelho do presidente Mao. Mas, pelo contrário, falou-se muito em direitos humanos, em liberdade, em tolerância, em paz.

Já no seu apelo de Roma de 1981 (tempo de ascensão do anarco-capitalismo pseudo-liberal) os Liberais de todo o mundo reafirmavam o que ainda hoje abalará as crenças e os clichés sobre a questão, designadamente:

“O conceito liberal de mercado tem sido erroneamente assimilado com uma economia controlada por puros meios monetários ou por uma economia de ‘laissez-faire’ dissociada dos interesses dos pobres e da comunidade como um todo. Os Liberais não aceitam uma visão tão simplista da economia de mercado e da sua atitude para com ele. Há muito tempo que reconheceram que a liberdade económica, no caso em que se revele hostil ao bem-estar (welfare) da comunidade, degenera numa anarquia e é uma das fontes de opressão” (Appeal of Rome, 27).

Nas palavras do conhecido líder europeu Graham Watson, neste Congresso, os Liberais propõem-se pelo “compromisso e pela coexistência”, “unir as pessoas de mente livre”. Essa mente livre de que tantonecessitamos, totalmente contrária ao pensamento único, também ele criticado, sobretudo na sua vertente socialista (mais conhecida do Senegal) pelo nosso anfitrião, presidente Wade. A tal ditadura mental opôs o presidente do Senegal, na melhor tradição, as liberdades e os direitos, a que não teve medo de chamar “naturais”.

Tenho nos meus ouvidos e nos meus olhos a recordação do comício final: o rufar de tambores e a girândola de cores, o palpitar de África na sua grandeza e na sua generosidade abundante, transbordante. A alegria, a paixão, a confiança num futuro liberal no continente em que talvez seja mais difícil consegui-lo.

Os africanos estão a libertar-se de preconceitos anti-liberais de dois colonialismos seguidos. Quando deixaremos nós de continuar colonizados intelectualmente pelos que nos querem fazer crer o que o liberalismo não é?





posted by paulo  # 2:21 AM
Heterodoxias Blog
18.07.03
CLANDESTINIDADE [General] - admin - paulofcunha@netcabo.pt @ 10:04:05
Sinto neste blog a frescura dos grandes espaços da liberdade.
Liberdade não vigiada, não controlada, não cerceada.
Sinto nele o ar puro de quem só tem as estrelas por cima da cabeça
E no solo os pés assentes em chão familiar.
Ao contrário de muitos outros (e isto não é crítica, antes pelo contrário)
Ele não é lido. Se lido, não é citado. E quando raros o citam (poucos mas
escolhidos como mandam os Evangelhos), esses happy few, que são
sobretudo amigos ou amigos potenciais - e não críticos, observadores,
profissionais e afins - dizem bem.
Este blog, ao que me dizem, está citado nos favoritos de cada vez menos páginas...
Que bom... Que tranquilidade.
O meu contador de entradas esteve sempre tão avariado que dá sempre como resultado
Uma planura alentejana, calma, calma e límpida de zero entradas.
Não pode ser verdade, mas é um magnífico record.
Por favor, deixem-me estar nesta beatífica quietudo, enquanto, qual guerra de alecrim e mangerona, os outros se digladiam...
Ai que frescura na face de ter um blog clandestino.
Por isso, aviso: este blog está quase a entrar em férias
Mas, heterodoxo, ninguém prova que não venha a ficar frenético em Agosto e Setembro.
Não acredito, mas nunca se sabe...
Ele é que sabe.
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12.07.03
DIREITOS HUMANOS [General] - admin - paulofcunha@netcabo.pt @ 18:20:30
Cuba: ação humanitária urgente!

Recebi o seguinte apelo, que renovo:

"A economista Martha Beatriz Roque e o médico Oscar Elías Biscet, presos políticos cubanos, estão em sério risco de vida, maltratados, enfermos e sem assistência médica. Veja no final o link para enviar mensagem instantânea a mais de 100 personalidades mundiais, solicitando-lhes urgentes gestões em favor de tais presos políticos. Por favor, use esse link com responsabilidade, escrevendo em uma linguagem firme, porém invariavelmente educada.

Aos líderes mundiais: pedem urgente intervenção em favor de presos políticos cubanos

É delicado o estado de saúde da economista Martha Beatriz Roque e do médico Oscar Elías Biscet, sem assistência médica nos cárceres da ilha, afirma Unidad Cubana

MIAMI (HR) - "Solicitamos urgentemente aos governos democráticos do mundo, a seus parlamentares, a organizações humanitárias internacionais e aos meios de comunicação, sua intervenção em favor dos presos políticos cubanos Martha Beatriz Roque e Oscar Eliás Biscet, encarcerados em condições de saúde e sanitárias deploráveis, a quem o regime comunista lhes nega atenção médica", afirma a organização Unidad Cubana em mensagem aos presidentes e chefes de Governo latino-americanos e europeus, a líderes espirituais, a dirigentes de entidades humanitárias e aos meios de comunicação do mundo inteiro.

Entre as destinatários incluem-se os presidentes latino-americanos Lula, Kirchner e Lagos; todos os chefes de governo europeus; o cardeal Angelo Sodano, secretário de Estado do Vaticano; o secretário geral da ONU, Kofi Annan; Danielle Mitterrand; entidades humanitárias e meios de comunicação. No documento, assinado por Jesús Permuy, presidente da Unidad Cubana e por seu diretor executivo, o jornalista Armando Pérez Roura, solicita-se também a liberdade para todos os presos políticos cubanos (...)
A economista Martha Beatriz Roque, de 58 anos de idade, laureada com o prêmio de Direitos Humanos da Academia de Ciências de Nova York por seu "incansável trabalho em promover a democracia, os direitos humanos e o livre acesso à informação em Cuba", acaba de ser condenada a vinte anos de prisão na penitenciária de rigor máximo de Manto Negro. Encontra-se em uma cela rigorosamente fechada e sem comunicação de 11/2 por 3 metros, sem janelas, em total isolamento, onde só tem um colchonete de trapo, sem lençol nem travesseiros; e para suas necessidades corporais, só um buraco no chão. Ratos e insetos pululam em sua cela. Martha Beatriz padece de úlceras estomacais, apresenta uma incontrolável hipertensão arterial, tem o lado esquerdo do corpo dormente e sofre freqüentes desmaios. Desde o mês de abril não recebe a adequada assistên- cia médica na prisão, nem lhe provêm os medicamentos necessários.

O médico Oscar Elías Biscet, de 41 anos de idade, de raça negra, casado e pai de família, foi declarado prisioneiro de consciência por organismos humanitários internacionais. Foi condenado em 1999 e cumpriu 3 anos de prisão por reclamar a abolição da pena de morte em Cuba e a liberação de todos os presos políticos do país. Após sua liberação em 31 de outubro de 2002, foi preso novamente em dezembro desse mesmo ano. Encontrando-se em cumprimento de prisão preventiva, foi submetido a julgamento sumário por supostos delitos de atentar contra a soberania de Cuba e condenado este ano a 25 anos de cárcere. Encontra-se na prisão Kilo 5 1/2, em uma cela de castigo rigorosamente fechada e incomunicável, de 2 por 1 metro, sem água corrente nem cama, pelo qual deve dormir no chão apenas com um short, pois sua roupa lhe foi retirada pela direção penal. O estado de saúde de Biscet é também delicado, padecendo de hipertensão arterial e apresentando um deplorável estado de saúde bucal.

"Os inumanos maus tratos a que são submetidos Martha Beatriz Roque e Oscar Elías Biscet fazem prever que, se não se produzir uma reação mundial imediata, estes presos políticos - para mencionar só os dois dos mais destacados - poderão perder a vida em pouco tempo, dado seu precário estado de saúde, o qual parece ser o propósito deliberado do regime castrista", afirmam Permuy e Pérez Roura, da Unidad Cubana.

"Os dirigentes mundiais - em particular, os latino-americanos, que têm sido mais benevolentes com a ditadura comunista - têm uma dívida moral com o povo cubano escravizado, abandonado à própria sorte por 44 anos. Chegou o momento de que paguem essa dívida intimando publicamente o regime comunista a liberar a todos os presos políticos", disse o jurista Luis A. Figueroa, diretor da Unidad Cubana.

030708HR / Human Rights News Service

Diretores da Unidad Cubana: Jesús Permuy e Armando Pérez Roura: tels. (1-305) 3796088 / 3796559; Dr. Luis A. Figueroa: tel. (1-305) 4420303"


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FILOSOFIA POLÍTICA [General] - admin - paulofcunha@netcabo.pt @ 05:19:10
LIBERDADE, IGUALDADE, JUSTIÇA

Alicerçada sem dúvida em pressupostos como a Vida (sem ela, nada se faz) e o reconhecimento da dignidade da Pessoa humana, a Liberdade é, antes de mais, um valor. Isso significa que é estrela de brilho próprio no firmamento das realidades humanas, e que é determinante e não determinada. No máximo, pode articular-se e assim receber limitações não compressivas da sua essência (mas apenas da sua latitude) por parte de outros valores. Mas a ela se não pode nunca renunciar, utilitariamente, oportunisticamente.
A Liberdade tem mesmo de dialogar com outros valores, sob pena de se negar a si mesma: uma só estrela no céu da mundividência não faz uma abóbada celeste iluminada.
Classicamente, a Liberdade dialoga com outros valores com dimensão política: a Segurança ou a Igualdade. Muitos pensam, e bem, que uma Liberdade insegura ou uma Liberdade alheia à sorte dos mais desfavorecidos, não pode orgulhar-se desse nome. Por isso, há quem omita a segurança como valor (integrando-a na própria Liberdade)e quem à Igualdade (para não provocar confusões) chame Solidariedade, Justiça social, ou algo semelhante. Todavia, quando se fala de Igualdade num contexto valorativo (não, obviamente, em ambiente colectivista)não se trata de igualitarismo nivelador "por baixo", "por igual", ou "à chegada", mas de igualdade (na verdade, equivalência) de oportunidades à partida. Não é apenas a igualdade asséptica (e na realidade muito problemática se a si mesma limitada) da paridade dos sujeitos perante a lei. Esta será até em certo sentido injusta, quando tomada à letra: porque nem todos são iguais; e daí que a Equidade (que alguns, e bem, já integram na própria Justiça) venha explicar que o desigual se deva tratar desigualmente.
O valor político da Igualdade, inseparável dos demais, é sobretudo um complemento e uma explicitação do valor da Liberdade: pretende libertar aos demasiado ricos do fardo da sua riqueza e aos demasiado pobres da sina da sua pobreza. Não igualitarizando-os, obviamente, mas mostrando-lhes o predomínio do Ser sobre o Ter: que a hipervalorização do material obnubilia. Ao dizer a um e a outro que são iguais, iguais em essência, iguais em dignidade, irmana-os na mesma condição humana, liberta-os a uns da arrogância, da auto-suficiência e do desprezo, e a outros da inveja, do ódio e da subversão. A Igualdade é assim outra coisa que a nivelação, e é muito mais que a parificação de riquezas materiais: é um valor antropológico-ontológico.
Ao afirmarmos que o Homem é Livre, é um sem número de consequências que daí resultam. Não menos ao afirmarmos que os Homens são iguais.
Outro valor essencial (mas nem sempre referido politicamente, talvez durante algum tempo pelo pudor, hoje abandonado, de invador terreno jurídico) é a Justiça. Ela desdobra-se em várias dimensões. Até porque a Justiça é valor, é princípio e é virtude. Para alguns a máxima virtude até: porque, ao contrário das demais, tem repercussão nos outros.
Os espíritos convervadores e reaccionários de todos os quadrantes, que os há em todos os quadrantes, desde logo políticos (falamos objectivamente, sem qualquer intenção pejorativa e muito menos estigmatizadora) têm tendência a privilegiar uma segurança independentemente da Liberdade ou da Justiça. Entre as três optam pela primeira, porque lhes parece condição de tudo o mais.
Os espíritos mais burocráticos, racionalistas e utópicos, também existentes em várias cores políticas (e continuamos a falar objectivamente) propendem, por seu turno, para tudo querer submeter a um ideal abstracto de Igualdade (na verdade uniformização) de onde lhes parece vir a resultar a felicidade geral. Entre tudo optam pela Igualdade, a qual, como não existe em estado livre, tem sempre de ser arquitectada teoricamente por quem raras vezes é capaz de se não reservar os melhores proventos na distribuição, contradizendo assim o ideal.
Os espíritos livres, por fim, não são ingénuos. Não podem ser ingénuos. Conhecendo a complexidade dos problemas e as tentações e imperfeições humanas, optam pela Liberdade. Uma Liberdade com Justiça, e que não olvida a Igualdade. Porque a Justiça tanto é um rigoroso princípio de Direito (e o seu princípio determinante): o dar o seu a cada um, pressupondo que todos sabemos o que já é nosso, como ainda é uma constante e perpétua vontade de fazer Justiça no mundo. E aí, sem os mal-entendidos das perversões da Igualdade, a Justiça brilha como sol entre os valores políticos: porque a Justiça é medida de Liberdade e Igualdade.


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10.07.03
POLÍTICAS [General] - admin - paulofcunha@netcabo.pt @ 18:29:55
EMPREGO DO TEMPO

Se há coisa em que o tempo urge e é escassíssimo, é a política. Há sempre coisas para ontem. Há sempre coisas no momento. Há sempre um amanhã cheio, e depois de amanhã parece nem haver porque a multidão de que fazeres atropela qualquer horizonte...
E, por paradoxo, é uma das actividades humanas em que a racionalidade empresarial e até pessoal de bom uso do tempo é mais esquecida. Perde-se tempo com esbanjamento de Potlach. Longe de mim a utopia. Mas como se poderia ganhar se as energias consumidas em tricas, irritações, intrigas, maquinações, fossem canalizadas para fins úteis!...
Era uma questão de se tentar. Mesmo à experiência...
Um ideal de político seria aquele que, perguntado sobre as quezílias fúteis do momento, respondesse, sistematicamente, como que programado: "Sobre essa questão não tenho nada a comentar". Um só político a dizê-lo seria já escândalo, mas se houvesse 99? Já me contentaria com 10... fariam uma revolução.
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06.07.03
HISTÓRIA E SOCIOLOGIA [General] - admin - paulofcunha@netcabo.pt @ 21:43:22
MOLEIROS LIVRES

Há poucos dias, um desses raros cavaleiros andantes da liberdade que ainda temos entre nós falou em raízes na água, e em moinhos... Alguns, pela pavloviana lembrança de quixotismo, lembrarão os de Don Quijote. Eu não: recordei-me desse indomável opinador e mártir da liberdade que foi Domenico Scandella, dito Menocchio (n. 1532), cuja saga foi contada e escalpelizada por Carlo Ginzburg no seu já clássico Il formaggio e i vermi, Torino, Einaudi, 1976...
Há uns dez anos, pouco antes da sua nomeação como Director do Instituto Internacional de Sociologia Jurídica, em Oñati, o sociólogo do Direito Paavo Usitalo e eu embrenhamo-nos numa conversa sobre a liberdade de espírito nas profissões modernas. Além do professor universitário, com a sua libertas docendi, que tudo indica será cerceada, o advogado... concluímos que também o taxista (objecto de estudos sociológicos já)se podiam contar entre os menos sufocados. Herdeiros dos moleiros, gentes sem patrão ou senhor (ou estes distantes), homens com tempo e cabeça livres para conversar com gente que vai e vem e conta suas estórias e angústias.
Até quando teremos ainda estes novos moleiros livres? Os taxistas serão os que resistirão mais...
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04.07.03
UM EDITORIAL (DE VEZ EM QUANDO) [General] - admin - paulofcunha@netcabo.pt @ 03:53:34
DITO E NÃO DITO

Durante algum tempo, pensei que seria interessante ter uma coluna num jornal. Achava que a possibilidade de opinar com regularidade seria benéfica e iria fazer nascer textos úteis e interessantes. Presunção minha... Por outro lado, para uma pessoa que tem a mania de ter coisas para dizer, como eu, parecia desperdício não haver quem lhas veiculasse. Pura estultícia. Esse não é o critério... Acontece, por acréscimo, quando acontece.
A minha opinião sobre esse assunto foi-se tornando céptica e cínica, e mudou completamente depois de ter um blog. Um blog é a possibilidade de opinar excatamente quando se quer. Para um público, no meu caso muito selecto - mas isso é o bem ou o mal dele -, mas para um público, em todo o caso. Ora poder-se dizer o que se quer quando se quer para o nosso público é um privilégio muito maior que mandar semanal, quinzenalmente, umas laudas com tamanho pré-definido a um jornal que, no limite, até nos pode censurar, advertir, ou fazer cessar a colaboração.
E o fenómeno mais interessante que se produziu foi este: dou comigo a não dizer aqui nem uma ínfima parte do que penso. Creio que é também uma reacção à incontinência de outros na blogsfera. Se tudo se ataca, se tudo se desdenha, se tudo se louvaminha, se tudo se comenta, se o volume de coisas que se dizem é poluentemente enorme (e dificilmente pode deixar de ser assim: porque não há temperança), então seja eu contido.
O Heterodoxias não é, pois, só o que diz. É, em grande medida, o que escolhe dizer, e o que não diz.
Prometeu no início não comentar más notícias. Só em parte conseguiu resistir... Mas no geral cumpriu.
Explica agora que só fala do que lhe apetece, e por vezes não fala do que lhe apeteceria... Porque há que manter alguma respirabilidade do ar...

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02.07.03
LENGA LENGAS [General] - admin - paulofcunha@netcabo.pt @ 05:33:35
Ele é génio Eu génio sou Tu o dizes E eu digo Tu é lindo Eu lindo sou Eu o vejo E tu o vês. Um dois três Outra vez Tu és lúcido Eu o sou Porque o digo Porque o dizes Eu sei tudo Tu o sabes Porque amigo Meu tu és Um dois três Amanhã se nos zangarmos Tudo roda e assim diremos: Tu és besta Mas eu não Eu to digo Não mo diga Mas 'inda hoje Assim dizemos 'inda amigos que nós somos: Somos bons somos os puros ou os maus mas isso é bom Eles são bestas são obscuros Nós que sim Eles que não Outra vez: Eles cretinos Eles estúpidos Ai que seca Não são chiques Não são dos nossos Dos sem tiques Eles burros E nós bons. Mas se um dia O vento muda Um dos deles A nós vem. Ele afinal não é mau Andou em más companhias Ele bom, com qualidades É dos nossos Sim senhor. E vira a roda
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01.07.03
SELECTA [General] - admin - paulofcunha@netcabo.pt @ 19:29:51
DESÍGNIO

" (...) dois compromissos seus a que deseja incitar todos os Portugueses, sendo um o de educar a Europa Transpirenaica, outro o do que venha a constituir-se como que uma Confederação ou coisa parecida de tôdas as Nações da Língua Portuguesa, e não só as Africanas, sendo um dia Portugal o seu representante na Europa Comunitária. Êste projecto de entidade internacional inclui Timor enquanto existirem os desentendimentos ou conflictos actuais."

Agostinho da Silva, 22 de Janeiro de 1993

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FILOSOFIA E IDENTIDADE [General] - admin - paulofcunha@netcabo.pt @ 12:25:07
DO MAL

É interessante pensar-se que um dos problemas recorrentes da Filosofia Portuguesa é o problema do mal.
Um povo que é considerado por muitos (e até por alguns portugueses com responsabilidades e pose intelectual) como sem queda para a Filosofia - o que é um erro e um dos muitos complexos de inferioridade que nos tolhem, por estrangeiramento snob - quando filosofa, muitas vezes fá-lo pensando no mal. Dá que pensar. Uma primeira explicação nos surgiu:
Os Portugueses têm muitas qualidades, mas alguns graves defeitos. Um deles, detectado por Teixeira de Pascoaes e já denunciado nesse livro delicioso Arte de Ser Português, é a inveja. O Português não pode ver a relva do vizinho mais verde. E por isso vai de lhe estragar a vida por todas as formas. Mesquinhas, cavilosas.
E aí está o mal: esse mal que não é metafísico, mas decorrente da nossa vontade tortuosa, vil mesmo. Que parte da inveja. Que se expande pela intriga, pela mentira... Como na ópera Dom Basílio entoa, até chegar ao tiro de canhão: A calúnia...
O mal que fazemos uns aos outros por palavras, actos e omissões. E que começamos a congeminar em pensamentos como o "honesto" Iago...
Traições, calúnias, mentiras, invejas... Tudo males muito terrenos.
Os Portugueses têm razão em pensar no mal.


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26.06.03
SELECTA [General] - admin - paulofcunha@netcabo.pt @ 19:40:57
BENS E VALORES PERENES

"Justice and freedom; discussion and criticism;
intelligence and character-these are the indispensable
ingredients of the democratic state.
We can be rich and powerful without them.
But not for long."

Robert M. Hutchins

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SELECTA [General] - admin - paulofcunha@netcabo.pt @ 18:41:42
FILOSOFIA DO NORTE E FILOSOFIA DO SUL

“Nos povos meridionais, entre os quais nunca se anulou completamente um certo atavismo clássico com a permanente disposição para a harmonia natural e cósmica onde o mal não possui realidade ôntica, onde a cisão e o pecado dificilmente se reconhecem como inatos ao mundo e ao homem e antes facilmente se aceitam como imagens e mitos, nos povos meridionais o catolicismo conseguiu resistir à obsessão do pecado próprio das interpretações agostinianas e protestantes do cristianismo e pode dizer-se que nunca entre elas o primado da vontade foi tomado a sério ou recebido sem suspeitas. Embora absorvidos e esmagados nos modos de civilização e cultura nórdicos, dominados pela técnica e pela indústria resultantes da ciência moderna, regidos pela política e pelo direito inerentes ao ‘dogma da vontade’, sempre lhes resistiram ao menos passiva ou mais tacitamente. Tal resistência se reflecte, muitas vezes se tornando manifesta e hostil, no pensamento filosófico onde se liga ao reaparecimento medieval de Aristóteles, à sistematização tomista de modelo aristotélico, à renascença da cultura antiga que os povos nórdicos imediatamente traduziram num estreito humanismo, e à permanente suspeição perante os sistemas que a filosofia nórdica, através das instituições colegiais e universitárias, teima em lhes impor”.

Orlando Vitorino, Refutação da filosofia triunfante, pp. 36-37.
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25.06.03
TANTO BARULHO [General] - admin - paulofcunha@netcabo.pt @ 21:04:03
AVISO, ISTO NÃO É UM POEMA

Tanto barulho...
Tanto barulho...
Tanto barulho...
Há espíritos que não são:
Reagem
Saltam como molas
Automáticos
Protestam
Emergem
Rugem
Tanto barulho...

E se parassem?
E se pensassem?
Sentir sentem:
Reflexos condicionados.

Como me amordaço
Para lhes não responder...
Para quê mais barulho?
E quantos não sofrem
magoam, indignam... enjoam...
Com essa automática mania
De logo apontar o dedo
Aos suspeitos do costume,
Aos eternos maus da fita
Os tais do lado de lá...

Não vale a pena pedir
Não vale a pena gritar:
Porque só vós tendes razão,
Homens de tanta fé?
Nunca ela está no outro lado
Qualquer que seja?

Ah, eu não vos dizia?
Ele afinal é dos deles
A mim sempre me pareceu
Que alguma coisa escondia
Naquelas barbas de breu
(Agora já meio alvas).


Cada migalha de tempo
Cada poalha de sendo
Cada agitar da colmeia
Tudo é pretexto
Ah, paciência
Não posso com tanta ciência.

Almas fúteis, agitadas
Por vezes de sonhos grandes
Mas almas atormentadas
Por serem de si distantes.

Ostentam, ufanos, as cores do grupo
Mesmo quando julgam tê-las
dependuradas no cabide
E de uniforme vestido na cabeça
cantam o hino, cantam o hino,
Mesmo quando a música se apagou.

Tristes figurantes da peça dos outros
Fieis títeres que gesticulam sem fios
Guiões virtuais que repetem
Proverbialmente
A farsa das ideias de pronto a vestir

Não, não vos responderei.
Não, não vos contestarei.
Não, se vos vir na rua
passarei discretamente para o outro passeio.


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24.06.03
pensamentos curtos [General] - admin - paulofcunha@netcabo.pt @ 18:26:07
MUDANÇA DE MIRA

Os grandes silêncios
Que nas madrugadas dos grandes gestos
Preparam em suspensão e aurora
As grandes frases
Que só não mudam o mundo
Porque foram já todas ditas

E os grandes ventos
Que as folhas das árvores varreriam
Se as árvores tivessem 'inda folhas

E os tempos de espera
Que seriam ainda suportáveis
Se algo se esperasse.

Não se sustenta mais o não ser nada
Não é audível o ruído estridente
Desses silêncios que matam
Porque as esperas negam

E por isso, naturalmente,
mudaremos de poiso
e já de mira
e envergando nossos vestido alvos
ousaremos olhar o horizonte.

E eis que um brisa sempre bulirá com a árvore imaginária
e uma madrugada sempre será prelúdio
sem fuga
de um dia novo.

Vamos esperar o que virá.
Vamos ouvir o silêncio
Vamos soprar o nosso vento
E senti-lo na face e no branco
Dos nossos mantos de verdade.


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19.06.03
[General] - admin - paulofcunha@netcabo.pt @ 08:24:51
TROVAS AO FUTURO

Saudades - só do futuro
Desfraldar bandeiras,já!
As lamentações do muro
Ficam pró lado de lá...

Caravelas, são tão belas!
Internautas, Inventores
Gestores e Computadores
Operários e Autores
Camponeses Professores:
São Pintores e Pescadores
Colhendo em redes e telas
'Ilha Nova dos Amores.

Ah Império que partiste!
Ah Império que voltaste!
E aquilo que descobriste
Nunca aqui o preservaste;
Mas isso mesmo persiste
Com tudo o que semeaste.


Ah Douro, Ah Tejo, ah Mondego!
Sangue nosso que já estua
Nesse oceano em sossego
Que para o Mundo é a rua.

Há sempre nova maré
Há sempre surfada boa.
Basta ao nauta ter a fé
E largar desta Lisboa.


Vinde comigo, cantemos
Vinde já, 'inda esperais?
Temos barco e temos remos
Só falta sair do cais.
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18.06.03
[General] - admin - paulofcunha@netcabo.pt @ 03:53:58
EXPLICAÇÃO TÉCNICA E DE GESTÃO

Alguns textos são removidos, de tempos a tempo, por perda de actualidade, ou para dar lugar a mais texto online.
Por isso, pedimos desculpa a autores de comentários, que obviamente não podem ser guardados online com o desaparecimento das respectivas mensagens.
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14.06.03
[General] - admin - paulofcunha@netcabo.pt @ 14:07:04
SELECTA

Com a devida vénia e o agradecimento ao autor e a Max Weiseman, do Center for the Study of The Great Ideas, aqui deixo um brilhante discurso de formatura, nesta quadra festiva em que os nossos estudantes já começam a estar mais próximos dos respectivos canudos...

MY GRADUATION SPEECH

by Neil Postman

Having sat through two dozen or so graduation speeches, I have naturally
wondered why they are so often so bad. One reason, of course, is that the
speakers are chosen for their eminence in some field, and not because they
are either competent speakers or gifted writers. Another reason is that the
audience is eager to be done with all ceremony so that it can proceed to
some serious reveling. Thus any speech longer than, say, fifteen minutes
will seem tedious, if not entirely pointless. There are other reasons as
well, including the difficulty of saying something inspirational without
being banal. Here I try my hand at writing a graduation speech, and not
merely to discover if I can conquer the form. This is precisely what I
would like to say to young people if I had their attention for a few
minutes.

If you think my graduation speech is good, I hereby grant you
permission to use it, without further approval from or credit to me, should
you be in an appropriate situation.
________________________________________________

Members of the faculty, parents, guests, and graduates, have no fear. I am
well aware that on a day of such high excitement, what you require, first
and foremost, of any speaker is brevity. I shall not fail you in this
respect. There are exactly eighty-five sentences in my speech, four of
which you have just heard. It will take me about twelve minutes to speak
all of them and I must tell you that such economy was not easy for me to
arrange, because I have chosen as my topic the complex subject of your
ancestors. Not, of course, your biological ancestors, about whom I know
nothing, but your spiritual ancestors, about whom I know a little. To be
specific, I want to tell you about two groups of people who lived many
years ago but whose influence is still with us. They were very different
from each other, representing opposite values and traditions. I think it is
appropriate for you to be reminded of them on this day because, sooner than
you know, you must align yourself with the spirit of one or the spirit of
the other.


The first group lived about 2,500 years ago in the place which we
now call Greece, in a city they called Athens. We do not know as much about
their origins as we would like. But we do know a great deal about their
accomplishments. They were, for example, the first people to develop a
complete alphabet, and therefore they became the first truly literate
population on earth. They invented the idea of political democracy, which
they practiced with a vigor that puts us to shame. They invented what we
call philosophy. And they also invented what we call logic and rhetoric.
They came very close to inventing what we call science, and one of
them-Democritus by name-conceived of the atomic theory of matter 2,300
years before it occurred to any modern scientist. They composed and sang
epic poems of unsurpassed beauty and insight. And they wrote and performed
plays that, almost three millennia later, still have the power to make
audiences laugh and weep. They even invented what, today, we call the
Olympics, and among their values none stood higher than that in all things
one should strive for excellence. They believed in reason. They believed in
beauty. They believed in moderation. And they invented the word and the
idea which we know today as ecology.

About 2,000 years ago, the vitality of their culture declined and
these people began to disappear. But not what they had created. Their
imagination, art, politics, literature, and language spread all over the
world so that, today, it is hardly possible to speak on any subject without
repeating what some Athenian said on the matter 2,500 years ago.

The second group of people lived in the place we now call Germany,
and flourished about 1,700 years ago. We call them the Visigoths, and you
may remember that your sixth or seventh-grade teacher mentioned them. They
were spectacularly good horsemen, which is about the only pleasant thing
history can say of them. They were marauders-ruthless and brutal. Their
language lacked subtlety and depth. Their art was crude and even grotesque.
They swept down through Europe destroying everything in their path, and
they overran the Roman Empire. There was nothing a Visigoth liked better
than to burn a book, desecrate a building, or smash a work of art. From the
Visigoths, we have no poetry, no theater, no logic, no science, no humane
politics.

Like the Athenians, the Visigoths also disappeared, but not before
they had ushered in the period known as the Dark Ages. It took Europe
almost a thousand years to recover from the Visigoths.

Now, the point I want to make is that the Athenians and the
Visigoths still survive, and they do so through us and the ways in which we
conduct our lives. All around us-in this hall, in this community, in our
city-there are people whose way of looking at the world reflects the way of
the Athenians, and there are people whose way is the way of the Visigoths.
I do not mean, of course, that our modern-day Athenians roam abstractedly
through the streets reciting poetry and philosophy, or that the modern-day
Visigoths are killers. I mean that to be an Athenian or a Visigoth is to
organize your life around a set of values. An Athenian is an idea. And a
Visigoth is an idea. Let me tell you briefly what these ideas consist of.

To be an Athenian is to hold knowledge and, especially the quest
for knowledge in high esteem. To contemplate, to reason, to experiment, to
question-these are, to an Athenian, the most exalted activities a person
can perform. To a Visigoth, the quest for knowledge is useless unless it
can help you to earn money or to gain power over other people.

To be an Athenian is to cherish language because you believe it to
be humankind's most precious gift. In their use of language, Athenians
strive for grace, precision, and variety. And they admire those who can
achieve such skill. To a Visigoth, one word is as good as another, one
sentence in distinguishable from another. A Visigoth's language aspires to
nothing higher than the cliché.

To be an Athenian is to understand that the thread which holds
civilized society together is thin and vulnerable; therefore, Athenians
place great value on tradition, social restraint, and continuity. To an
Athenian, bad manners are acts of violence against the social order. The
modern Visigoth cares very little about any of this. The Visigoths think of
themselves as the center of the universe. Tradition exists for their own
convenience, good manners are an affectation and a burden, and history is
merely what is in yesterday's newspaper.

To be an Athenian is to take an interest in public affairs and the
improvement of public behavior. Indeed, the ancient Athenians had a word
for people who did not. The word was idiotes, from which we get our word
"idiot." A modern Visigoth is interested only in his own affairs and has no
sense of the meaning of community.

And, finally, to be an Athenian is to esteem the discipline, skill,
and taste that are required to produce enduring art. Therefore, in
approaching a work of art, Athenians prepare their imagination through
learning and experience. To a Visigoth, there is no measure of artistic
excellence except popularity. What catches the fancy of the multitude is
good. No other standard is respected or even acknowledged by the Visigoth.

Now, it must be obvious what all of this has to do with you.
Eventually, like the rest of us, you must be on one side or the other. You
must be an Athenian or a Visigoth. Of course, it is much harder to be an
Athenian, for you must learn how to be one, you must work at being one,
whereas we are all, in a way, natural-born Visigoths. That is why there are
so many more Visigoths than Athenians. And I must tell you that you do not
become an Athenian merely by attending school or accumulating academic
degrees. My father-in-law was one of the most committed Athenians I have
ever known, and he spent his entire adult life working as a dress cutter on
Seventh Avenue in New York City. On the other hand, I know physicians,
lawyers, and engineers who are Visigoths of unmistakable persuasion. And I
must also tell you, as much in sorrow as in shame, that at some of our
great universities, perhaps even this one, there are professors of whom we
may fairly say they are closet Visigoths. And yet, you must not doubt for a
moment that a school, after all, is essentially an Athenian idea. There is
a direct link between the cultural achievements of Athens and what the
faculty at this university is all about. I have no difficulty imagining
that Plato, Aristotle, or Democritus would be quite at home in our class
rooms. A Visigoth would merely scrawl obscenities on the wall.

And so, whether you were aware of it or not, the purpose of your
having been at this university was to give you a glimpse of the Athenian
way, to interest you in the Athenian way. We cannot know on this day how
many of you will choose that way and how many will not. You are young and
it is not given to us to see your future. But I will tell you this, with
which I will close: I can wish for you no higher compliment than that in
the future it will be reported that among your graduating class the
Athenians mightily outnumbered the Visigoths.

Thank you, and congratulations.
________________________________________________

Neil Postman is a critic, writer, communications theorist, and professor of communication arts and sciences at New York University. Educated at the State University of New York and Columbia University, he holds the Christian Lindback Award for Excellence in Teaching and in 1987 was given the George Orwell Award for Clarity in Language by the National Council of
Teachers of English. He was for ten years editor of Et Cetera, the journal of general semantics. His sixteen previous books include Amusing Ourselves to Death, Teaching as a Subversive Activity, The Soft Revolution, and The
Disappearance of Childhood.

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13.06.03
[General] - admin - paulofcunha@netcabo.pt @ 09:54:01
APELOS


CUBA LIVRE

Recebi de Cuba, via Brasil, o seguinte apelo. Algo pode ser feito.
Urgente llamamiento desde Cuba/Urgent Appeal for Solidarity from Cuba

Mujeres y hombres honestos del Mundo NO dejen
que Martha Beatriz muera en la prisión, ayúdenla!

http://www.puenteinfocubamiami.org/cuba_ultimas2003.html

(LA HABANA/CUBA/11 de junio/Puenteinfocubamiami.org)-
Mujeres cubanas de varias provincias de la Isla lanzan
hoy un desgarrado llamamiento de solidaridad por la
salud de Martha Beatriz Roque Cabello:

Nosotras, mujeres cubanas pedimos a toda persona de
buena voluntad en el Mundo, que unan sus voces y
utilicen todos los medios posibles para hacer llegar
a las autoridades de Cuba el clamor de libertad para
Martha Beatriz Roque Cabello.

Martha Beatriz, de 58 años de edad y condenada
injustamente a 20 años de privación de libertad,
declarada recientemente prisionera de conciencia
por organismos internacionales, es la única mujer
sancionada entre los 75 opositores, intelectuales
y periodistas independientes, juzgados en procesos
sumarios efectuados el pasado mes de abril en Cuba.

Todos los condenados habitan en celdas aisladas
inmundas, en condiciones infrahumanas. Lo que
hace doble sus penas. Pero para Martha Beatriz,
esto se triplica por ser mujer.

Desde el mes de abril no recibe la adecuada
asistencia médica ni los medicamentos necesarios,
a pesar de tener severos problemas reumáticos y
de úlceras estomacal. Además, presenta una
incontrolable hipertensión arterial. Tiene
adormecida la parte izquierda del cuerpo y ha
perdido más de 30 libras de su peso corporal en
menos de tres meses.

Mujeres y hombres honestos del Mundo NO dejen que
Martha Beatriz muera en la prisión, ayúdenla!

Martha Beatriz puede ser tu mamá, tu hija, tu hermana,
tu amiga.... Defiéndela!

Hagan sentir sus voces de libertad por esta mujer que
languidece en una celda Castrista.

Salven la vida de Martha Beatriz. Por favor, hagan
hoy mismo lo que esté a su alcance. Mañana puede
ser demasiado tarde.

Firman desde Cuba, hasta el momento,

María Elena Alpízar
Belkis Barzaga Lugo
Gisela Delgado Sablón
Ada Márquez Abascal
Yesenia Rodríguez Aguilar
Farah Armenteros
Tania de La Torre Montesino
Cruz Delia Aguilar Mora
Maria del Carmen Pedroso
María de los Angeles Menéndez
Caridad Peña
Tulia Leal Francisco
Iraida Rivas
Irene A. Guerra Lugos
Laura Poyán Toledo
Mayelín Cedeño Constantín
Olga Rita Ramírez Delgado
Lucía Numinia Peguer Rubio
Diana Margarita Cantón
Liz Romera Balmaseda
María del Rosario Pérez Rodríguez
Noris Durán Durán
Ofelia Asturat Obregón
Yolanda Huerga Cedeño
Deisi Cabrera Herrera


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12.06.03
[General] - admin - paulofcunha@netcabo.pt @ 17:52:25
ANTIGUIDADES

EPOPEIA I

Riscadores do tempo
Rasgaram o seio da rocha
E em sangue traçaram
O destino da Arte
Em Altamira, em Lascaux, em Foz do Côa
O símbolo e a magia nos legaram

Nesse altar nosso, irradiando,
Em Stonehenge em pedra alevantámos
Sinal da convergência e difusão
E nesse círculo de titãs estavam já
As doze estrelas de oiro
Que São Teotónio previu no céu futuro.

Das profundezas dos lodos,
Sai o barco Oseberg, rei dos mares,
E à sua proa vemos em metáfora
Õ ceptro doirado
De Carlos Magno, Imperador.

Em sal que guarda e apura
Em sal que purifica,
De Hallstat, tecidos delicados
Contar-nos vieram
Que Celtas, avôs nossos,
No número dos Bárbaros
Não contam
E não tinham só como artefactos
As vírias de oiro,
Viris divisas todavia
Do nosso legendário Chefe.

E uma teia imaginária,
Na Ítaca do nosso sonho,
Sempre Penélope tecerá esperas
Destes Ulisses que somos
E em guerras e naufrágios nos perdemos.

A Loba amamentou-nos
no aconchego maternal
Das Sete Colinas
E nesse leite latino
Bebemos a Lei e a ordem do Estado,
Ainda sem ele deveras.

Águia que levou no estandarte do Senado e do Povo
A filosofia aprendida na Hélade.
E a fé que aprendeu com o Rabi Jesus, Filho de Deus,
O que veio trazer Boa Nova
De Amor e Igualdade.

Tudo se entranha e emerge.
Tudo promete e anuncia

Só a barbárie confunde
E mesmo assim
Só para velar
Como em pousio
A Civilização que teima em Renascer.


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11.06.03
[General] - admin - paulofcunha@netcabo.pt @ 06:17:22
SELECTA

UMA DEFINIÇÃO POLÍTICA

"Não vale a pena descobrir o que já está descoberto, nem inventar o que já está inventado, ao contrário do que pensam as vanguardas e as rectaguardas.

Como liberal que não quer ser neoliberal, longe das novas direitas e dos neoconservadores, nada sei desses teologismos berlinianos, straussianos, hayekianos, dahrendorfianos, e muito menos como se saramagam boaventuras, se mobilizam fóruns e outras fontes secundárias."

José Adelino Maltez, in "Euronotícias"


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[General] - admin - paulofcunha@netcabo.pt @ 05:36:31
VIRTUDES

CRER, ESPERAR E AMAR

Folheio um dos sites do Prof. Doutor Jean Lauand, da Universidade de São Paulo, link..., uma das maiores autoridades mundiais em Filosofia da Educação e Filosofia Medieval, além de Matemático de formação e xadrezista temível (nenhum computador se meta com ele).

Uma formulação me capta a atenção: crer, esperar e amar como virtudes - link

Não é a formulação típica das virtudes teologais: fé, esperança e caridade. É algo de mais forte, de mais significativo. E, na verdade, é a mesma coisa... É o que lá sempre esteve.

((Jean Lauand também revolucionou a teoria dos vícios considerando que a preguiça não é o verdadeiro vício. Ele, que é um hiper-activo, autor de muitas centenas de estudos, em uma dúzia de línguas.))

Reflicto como estas virtudes tão simples e tão vitais poderiam trazer-nos a água lustral de que carecemos...

Crer, Esperar, Amar...

Não são palavras, são virtudes....

Au diable os temas e os estilos consentidos...
Apeteceu-me dizer isto.


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posted by paulo  # 2:17 AM
Este blog revive o Heteroxias, que tem estado congelado há uns meses.
Vai contudo ser intermitente, calmíssimo, anti-polémico... Quase clandestino
Publico aqui as últimas do blog a que sucede e RIP
posted by paulo  # 2:17 AM

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